
2010-05-25 São difíceis os tempos presentes, não só em Portugal, mas na Europa e no Mundo. Portugal vive uma situação de crise, económica e financeira, e não se avizinham melhorias. As implicações fazem-se sentir, de forma por vezes dramática, nas empresas, nas famílias e individualmente em cada um dos afectados. Porque passam ou temem passar dificuldades. Porque sofrem ou temem sofrer. É por vezes "fácil", para quem está de fora, falar sobre o que devem os outros fazer. E muitas vezes é feito com a melhor das intenções, porque se quer ajudar, porque se quer dar o conforto possível e tornar menos dolorosa a experiência de quem sofre. Diz-se às empresas que têm que reformular a estratégia, inovar nos produtos, melhorar o serviço ou tornar mais agressiva a componente comercial. Diz-se às pessoas que têm que manter a cabeça erguida e continuar a lutar. Pode parecer fácil dizer, mas não é, e seguramente mais difícil é fazer.
Mas então, baixamos os braços? Não, claro que não! Todos nós, enquanto indivíduos, comunidade, região ou país, não temos alternativa que não seja lutar, e exigir a quem nos representa que o faça bem. Mas temos uma responsabilidade perante nós próprios, as nossas famílias, a nossa comunidade, a nossa região e o nosso país, e essa passa por contribuirmos com as nossas competências, capacidade e recursos, materiais e financeiros, para melhor a vida de todos.
Passa também por "regressarmos" ao essencial! E o essencial é que a vida não significa apenas ter cada vez mais, seja mais dinheiro, mais estatuto social, mais bens materiais e mais posse e usufruto de bens e serviços. Também é isso, e é legitimo e bom que assim seja, quando resulta de um trabalho honesto. Mas não pode ser só isso. Temos que contribuir para minorar o desespero de muitos e criar oportunidades para outros tantos. Temos que fazer trabalho comunitário, contribuindo financeiramente para as organizações que consideramos úteis para a vida em sociedade, sejam elas os Bombeiros da nossa cidade ou o Clube do nosso bairro, contribuindo com o nosso tempo para as organizações da sociedade civil cuja intervenção é importante para o nosso futuro comum, sejam elas o Movimento Regionalista ou a Associação de Alunos da nossa escola.
É isto importante? Muito! Ao contribuirmos, com o nosso dinheiro, tempo e/ou conhecimento, estamos a contribuir para que mais pessoas consigam manter ou obter empregos, e para a manutenção e desenvolvimento de uma vida em sociedade, onde a entreajuda, o respeito e a compreensão por nós próprios e pelos outros é eixo estruturante. E isto não é importante para a vida. Isto é vida!
Se uma empresa está em risco, deve fazer tudo que estiver ao seu alcance para sobreviver, mesmo que tal passe por despedir pessoas. É menor o mal quando alguns perdem o emprego para que mais tarde não o percam todos. E se um dia tiver que fechar para salvar o que for possível ser salvo, deve fazê-lo. Mas se uma empresa é rentável deve manter as pessoas, mesmo que tal signifique baixar os seus níveis de rentabilidade. O empresário perde no curto prazo, mas estará a ganhar no médio e longo, economicamente e em realização pessoal. A vida não é só dinheiro! E apesar da estupidez de muitas vozes que vociferam contra os empresários, como se estes não fossem criadores de riqueza colectiva, são muitos os que anonimamente contribuem para que a situação não seja ainda mais difícil.
Mas podemos também faze-lo a nível individual. Os contínuos avanços tecnológicos e a "vida habitual" destes nossos tempos modernos, foram tornando redundantes muitas das profissões domésticas do passado, em muitas casas onde as pessoas tinham e têm os recursos financeiros para as poder pagar. Para quem tem capacidade financeira, porque não contratar, por exemplo, um motorista, um cozinheiro, um jardineiro ou uma professora para os seus filhos. Estará assim a melhorar a sua qualidade de vida, e ao empregar nem que seja uma pessoa a mais, está a contribuir para que essa pessoa, muitas vezes toda a sua família, viva com o mínimo de dignidade.
E, enquanto cidadãos no sentido mais lato e nobre do termo, temos que lutar pelas questões estruturantes, como sejam a Regionalização, a Educação de qualidade ou a valorização do mérito e do trabalho, a bem do individuo e da vida em comunidade.
Não podemos mais sustentar um país onde o estado tem um peso desmesurado, é omnipresente e cada vez mais intrusivo, na vida das pessoas e das organizações. Não podemos ficar inertes, deixando nas mãos de uns poucos o presente e o futuro de tantos. Temos que reconquistar o poder para os indivíduos e suas comunidades, para as cidades e suas regiões.
A vida é por vezes dura, mas vale a pena ser vivida! E enquanto sociedade, Portugal tem tudo para vivê-la com qualidade. Mas compete aos portugueses exigirem, porque para isso contribuem, que assim seja.
Portugal sempre ultrapassou as suas crises, e não será desta que não o fará. Porque até hoje ninguém demonstrou que o pessimismo traz especiais benefícios, mesmo parecendo por vezes ingénuo, o optimismo é sempre melhor. Chorar os problemas não os resolve, lutar para os ultrapassar é o caminho.
E porque a vida também é beleza e glamour, vale a pena ler a Litoral Magazine!
Ricardo Luz
Partner Gestluz Consultores
Maio 2010





