
2011-02-24 O séc. XXI será o mais urbano, estimando-se que em 2050 dois terços da população mundial viva em cidades, contra metade em 2007 e um terço em 1950. Torna-se assim claro que se as cidades são/serão fonte de múltiplos problemas e desafios, mas também territórios estratégicos e motores principais de desenvolvimento. Pela sua importância, as cidades vêm sendo alvo de diversas iniciativas visando a sua (re)vitalização, desde as por vezes limitadas tentativas de reabilitação urbana com foco na intervenção pública e na reabilitação física dos edifícios, até à abordagem multidimensional, ponderando as vertentes económica, ambiental, social ou cultural, agindo-se sobre as causas e não só sobre os efeitos.
Se muitas vezes se assistiu à adopção de modelos de acção que conferem maior relevância a apenas uma das suas dimensões e/ou não se ponderaram as suas interacções, hoje associado aos projectos de desenvolvimento urbano está cada vez mais presente o conceito de Cidade Sustentável, em que para além do saber e competências tradicionalmente alocadas aos projectos, é decisivo o pensamento sistémico, a negociação e a comunicação, informando, envolvendo e mobilizando agentes com múltiplos interesses para objectivos comuns. Procurando atingir-se o que Richard Rogers, em "Cities for a Small Planet", define como cidade sustentável, uma cidade justa, bonita, criativa, ecológica, de fácil contacto e mobilidade, compacta e policêntrica, e diversa.
Aveiro, sede de um município com 73 mil habitantes, e Ílhavo, sede de um município com 37 mil habitantes, são duas cidades que se "encontram" pela Ria e no Mar das maravilhosas praias da Costa Nova e da Barra, e, mesmo em ambiente geral de crise, são hoje cidades modernas e com forte dinamismo económico e social.
Únicas na sua história, características e tradições, o seu destino vai-se fundindo pelas ligações físicas, mas também e principalmente através das suas populações, pela interacção entre elas e pelo uso que dão aos equipamentos e forma como usufruem das actividades que as suas cidades possuem e organizam. Aveiro e Ílhavo podem ser bons exemplos de cidades sustentáveis se os seus múltiplos e diversos actores públicos e privados forem capazes de, mantendo a sua identidade própria, partilhar objectivos comuns.
Já hoje se ligam estas duas cidades, seja por um Porto de Aveiro cujas instalações estão no concelho de Ílhavo, seja pela antiga IP5 (agora maldosamente transformada em auto-estrada pelo centralismo vigente, com vista a cobrar um imposto camuflado de portagem) que liga as belas praias da Costa Nova e Barra ao interior do país e à fronteira, e mais se ligarão no futuro, e a pensar o futuro, quando se tornar realidade o Parque de Ciência e Inovação que, localizado em terrenos de Ílhavo e Aveiro, se poderá constituir como importante espaço de produção e investigação científica, tecnológica e educativa, e um promotor estratégico e operacional da inovação e do empreendedorismo na região e, espera-se, um espaço de interacção positiva entre as entidades suas accionistas, as duas Câmaras Municipais, a Universidade de Aveiro (accionista maioritária) e todos os restantes accionistas, entidades públicas e empresas privadas. Apostando inicialmente na Energia, Tecnologias da Informação, Comunicação e Electrónica, Agro-industrial, Materiais e Mar este parque «pretende ser uma nova plataforma de inter-ligação entre as instituições, a região e as redes internacionais, tirando partido das relações de cooperação, que tanto a Universidade de Aveiro como as empresas da região já possuem». Assim seja, para bem das duas cidades e da sua região.
É importante esta aposta em âncoras de desenvolvimento económico e conhecimento cientifico, como é fundamental a aposta de cada cidade nos seus vectores de desenvolvimento, sejam eles, entre outros, a educação, o desporto, a cultura, o turismo ou a ciência, bem como nas formas de interacção e cooperação entre elas, pois definidos os vectores de desenvolvimento e criadas as infra-estruturas e as actividades complementares mais fácil será reter e atrair residentes, visitantes e turistas, de forma pensada e integrada, com impacto positivo na economia e na melhoria da vida das suas populações.
Mas é também importante, para que as cidades sejam verdadeiramente sustentáveis, que as pessoas interiorizem o valor, para a qualidade da sua vida, da "localidade" e da "pequena centralidade", da mobilidade a pé, de bicicleta e em transporte público, do convívio e sociabilização com os seus vizinhos. Muitas vezes assim se regressando à essência da vida entre pessoas, e em comunidade.
Do alto do Farol da Barra, o mais alto dos 48 faróis marítimos de Portugal, vê-se a vizinha Costa Nova do Prado e a sua maravilhosa praia, bem como as suas típicas casas ("palheiros") listadas com cores vivas e alegres, alternadas com a cor branca. Mas essencialmente, o que se deseja é ver um futuro de esperança, para estas duas bonitas cidades e suas populações, para a região e para o pais.
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