
2011-08-26 "Troika ou tróica (em russo: тройка) é a palavra russa que designa um comité de três membros. A origem do termo vem da "troika" que em russo significa um carro conduzido por três cavalos alinhados lado a lado, ou mais frequentemente, um trenó puxado por cavalos. Em política, a palavra troika designa uma aliança de três personagens do mesmo nível e poder que se reúnem em um esforço único para a gestão de uma entidade ou para completar uma missão, como o triunvirato histórico de Roma", in Wikipédia
Por cá, em plena época estival, assentou arraiais a troika "FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia", que em português pós-acordo ortográfico significa "aqueles que nos governam por entreposta entidade, designada de Governo Português".
Enquanto isso, tendo tido conhecimento que a famosa (e agora tão vilipendiada!) agência de notação financeira Moody's baixou o 'rating' da dívida portuguesa para 'lixo'" (junk em inglês, para os mais sensíveis), a empresa Faianças Bordallo Pinheiro lançou uma edição especial da conhecida personagem do Zé Povinho, na qual este aparece a fazer um 'manguito' à Moody's.
Dado que nos próximos tempos vai haver muitos paises por essa Europa fora (quiçá, os próprios EUA!) a querer fazer manguitos à Moody´s, o sucesso internacional do nosso Zé Povinho parece garantido, o que será muito bom para a empresa e para o país, tão precisado anda de bens transaccionáveis internacionalmente.
Assim de repente, surge-nos a dúvida se o Zé Povinho não estará também a fazer um manguito a todos aqueles que nos últimos anos nos arruinaram, gastando de forma tão decidida e sistemática mais, muito mais, do que a riqueza produzida. Um manguito àqueles que decidiram "investir" em todos esses maravilhosos projectos que nos iriam transformar numa verdadeira Califórnia da Europa, no famoso Portugal West Coast.
Assim de repente, os portugueses que passaram uma vida a trabalhar e a poupar, que não encheram a casa de TVs/plasmas comprados a crédito, que não fizeram férias que não podiam pagar, que não compraram carros que não podiam manter, que não compraram casas que não podiam habitar, que não pediram auto-estradas "sem custos para o utilizador" que não iriam utilizar, i.é., todos os portugueses que fizeram figura de parvos porque acreditaram que ou se "gasta menos que o que se ganha ou se ganha mais do que se gasta" ou um dia não se consegue pagar o que se deve. E que, chegado esse dia, acaba a liberdade e começa a escravidão. E não é usual ouvir-se falar de escravos respeitados e bem tratados pelos seus donos. Há deles mas não são muitos, nem muito conhecidos!
E agora, esses "parvos" - os que trabalharam, viveram dentro das suas possibilidades e não pediram uma vida de facilidades feita a crédito - são chamados a pagar os desmandos dos outros, em especial dos que em seu nome e com o seu dinheiro fizeram as maiores barbaridades. E ainda têm hoje que ouvir que "a situação actual é culpa de todos,... todos temos que pagar!". Há palavras na língua portuguesa para exprimir o que vai na alma destes portugueses, destes "parvos", mas não devem ser escritas sob pena de voltar a censura a Portugal.
E o Governo, o que pode fazer!? Sim, porque é necessário dar o beneficio da dúvida a um governo que é eleito para implementar um programa que não foi por si decidido. Tudo o que fizer, mesmo bem feito vai ser provavelmente motivo de tensão, de conflito e sabe-se lá do que mais. Mas, e apesar disso, nunca como hoje foi possível fazer-se o que tem que ser feito de forma tão eficaz, mas ou se faz agora ou, provavelmente, nunca mais se fará. São tarefas, nada fáceis, que devem permitir retirar o Estado donde nunca deveria ter entrado e despedir aqueles que nada mais fazem que atrapalhar, e consumir recursos de quem trabalha e produz riqueza. Não é acabar com o Estado, mas sim devolver o Estado às suas funções nobres, e dignificar aqueles que trabalham, e bem, em prol do bem comum. Porque os há, e muitos! Mas estiveram e estão escondidos na imensa massa humana que habita o Estado, e suas derivações. Muitas vezes mal pagos e mal tratados. E o Estado tem que ser "pessoa de bem", liderado e integrado por gente séria. Portugal e os portugueses merecem-no.
Tal só se fará se for decidido e implementado muito rapidamente. E é o Governo quem tem de decidir, mas deverão ser profissionais competentes, e não dependentes, a implementá-lo. Para isso é necessário definir, muito rapidamente, o que são funções politicas, de nomeação, e funções técnicas, de escolha transparente e decidida pelo mérito. E entre estas, deve haver coragem para seleccionar uma equipa, transitória, com autoridade para implementar, de forma profissional e com respeito pelas pessoas, as difíceis medidas que se impõe, nos ministérios, nas secretarias de estado, nas direcções gerais, nos institutos e empresas publicas, etc. Só assim será possível sonhar em cumprir o programa que, tendo sido elaborado por um triunvirato, que não o histórico de Roma, constitui em si mesmo um desígnio para Portugal, o da sua sobrevivência.
Sendo certo que a crise por cá continuará, por alguns e maus anos, é também certo que só será ultrapassada por quem a vive e viverá, os portugueses. E, estes, enquanto povo, são capazes e vão ultrapassá-la, para bem do pais e para que os filhos por cá queiram continuar.
Boas férias, em especial de Portugal e de preferência em Portugal,
que o dinheirinho faz por cá muita falta!
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